Espaço do Aluno

Espaço dedicado a ti: publicaremos textos, trabalhos, fotografias, vídeos, etc, feitos e recomendados pelos alunos do 12º ano da Escola Salesiana de Manique.

PORTUGUÊS

 

A minha visão do Mundo 

Prague, 17 de Fevereiro 2010

            É meio-dia. Adivinho pela ponta do meu nariz vermelho que a temperatura deve ser ou de zero graus ou abaixo disso. Curiosamente não há aquela brisa fria e húmida que me arrepia e que, neste lugar, me faz lembrar de algo tão distante, mas tão perto. Tudo é tão diferente aqui. Não só a terra e a neve que me deixa completamente encantada, mas também as caras, as feições, os olhares, tudo reflecte uma outra atitude à qual eu não estou habituada. Não estou habituada a usar coroas, a encostar sempre à direita quando ando de escadas rolantes ou a estar calada quando estou na rua e no autocarro, nem estou habituada a não sorrir. Toda esta frieza, (mais do que o próprio frio) foi um grande choque “térmico”. Tantas diferenças.

            Ironicamente, estou eu sentada, na esplanada do Starbucks, um fenómeno mundial, que já nos é tão familiar, à espera do meu americano coffee (como os “czecos” dizem), e não sei se é por este cantinho aquecido ou pelas saudades de casa, mas dou por mim e pelos meus pensamentos bem longe daqui.

            Olho à minha volta. É como uma manta de retalhos: a vir da praça central, um grupo de raparigas de olhos claros. Trazem todas casacos desportivos que dizem “Norway” e falam divertidamente. Não são claramente checas. À minha direita, a ver a loja de souvenirs, um casal novo, muito bem arranjado, diria talvez que são franceses, pela sua classe. Apuro um dos meus cinco sentidos e confirmo a minha certeza. De repente, sou distraída por um barulhento grupo de rapazes que falam demasiado alto e demasiado depressa, trazem todos nas orelhas brincos à Cristiano Ronaldo e um deles, ao passar por uma inglesa (adivinho pelas suas faces pálidas) verbaliza “Mira Chico que niña tão guapa!”. Espanhóis, claramente. Atrás destes está um grupo de chineses, estes sim, inconfundíveis, com olhos pequeninos e em bico e com as suas gigantescas máquinas fotográficas topo de gama prontas a disparar em qualquer direcção. E não disse? Lá estão eles… páram para tirar fotografias a um outro grupo de homens e mulheres robustas (que mais uma vez adivinho serem alemães) a comer o seu hotdog. Melhor visão que esta não podia ter.

            Como é incrível. Quanto mais conheço, mais tenho vontade de conhecer e mais tenho noção de que de facto não conheço nada. Sou tão pequena num mundo tão grande e diversificado. Como é possível haver tantas pessoas diferentes, tantas culturas? Há que saber olhá-las com respeito. Descobrir é sair de si, estar receptivo a ver novas coisas. Sair da nossa pequena caixa que muitas vezes nos faz quadrados e ocos ao que nos rodeia. E o que nos rodeia é tão belo.

            Ah! Finalmente chega o meu café americano ou americano coffee, a escaldar, tal como em Portugal. Sinto um calor ao ver o nosso grupo de portugueses a sair pelas portas de vidro. É verdade o que dizem: os portugueses são únicos.

            Sinto-me tão bem.

Mariana Roque Rodrigues, nº 16, 12º C

PSICOLOGIA